BALSEIROS do RIO das ANTAS

29/11/2018 01:05

BALSEIROS do RIO das ANTAS

Na sua viagem ao Rio Grande do Sul, ao longo do ano de 1906, o deputado italiano Vittório BUCCELLI ainda pode observar a prática dos BALSEIROS do RIO das ANTAS. Ele registrou:

“O novo companheiro de viagem quis fazer-nos ver,  da margem da estrada que domina o curso do Rio das ANTAS, uma nova espécie de arsenal, onde trabalham os embalsadores : uma forma característica pela qual se efetua o transporte das tábuas e das madeiras, de que se faz grande comércio em todo aquele vale. Depois de cortados em igual medida os troncos das árvores, ou mesmo reduzidos a grossas pranchas, são são transportados para a beira do rio, onde são ligados uns aos outros com arames de ferro ou até com lianas fortíssimas da floresta, de modo a formar superfícies regulares de diversos tamanhos, que variam de 300 a 600 metros quadrados, segundo o comprimento e a grossura dos troncos. Em seguida ligam-nas por cima, transversalmente, outras tábuas ou traves mais leves e, algumas vezes, erigem sobre elas cabanas onde três ou mais pessoas põem-se a salvo das intempéries e dos raios solares. Terminada esta  construção rudimentar,  que flutua  admiravelmente, suspendem-lhe na parte posterior  três vara móveis destinadas a servir de remos, depois se abandonam-na à correnteza, que a transposta  lentamente até o rio Taquari em deste, pelo Jacuí até Porto Alegre. É muito característico o encontro, em pleno rio, de uma dessas balsas, na qual dois ou três homens dormem sob a tenda e um está junto ao timão para regular a marcha próximo à margem ou nas curvas , e não é necessário demonstrar que as balsas , apesar de sua organização primitiva, representa uma das industrias mais lucrativas de toda a região serrana. A marcha, que dura pelo menos 15 a 16 dias, não custa senão o mantimento e o salário dos três ou quatro himens que ficam sob a tenda e que, pela sua proverbial  sobriedade, alimentam-se com pouca carne seca (charque) , um pouco de farinha de mandioca, laranjas que colhem passando pelos jardins da margem,  como indefectível chimarrão. Esta navegação não é possível senão nos meses do ano em que as cheias aumentam periodicamente o volume das águas, de modo a suprir o perigo das cascatas ( e é justamente a época em que se pode fazer o corte das matas para ter madeiras resistentes). E além disto é regulada  por uma lei naquela parte dos rios que é aberta à navegação a vapor ou a remos. Há de fato, um regulamento que determina às balsas o curso a seguir, à maneira de conduzirem-se no encontro dos vapores e barcos, e até a margem que devem seguir ao longo do Jacuí e no estuário do Guaíba. Depois em Porto Alegre, as balsas são recolhidas em algumas enseadas. onde ficam algum tempo à disposição dos destinatários, que vão se desfazendo segundo as necessidades, e extraem as peças de madeira para as serrarias; raramente para os depósitos, porque o melhor  ponto e o mais cômodo e econômico para conservar a madeira parece ser a própria água. E eis a razão pela qual, em Porto Alegre, as melhores qualidades de madeira custam pouquíssimo, sendo exortadas grandes partidas par Buenos Aires, além das que seguem por via terrestre para o norte, através de Passo Fundo, Uruguaiana e o território oriental, e as que das novas colônias Guarani, Comandai e Ijuí descem. Pelo mesmo sistema de balsas pelo rio Uruguai, até o Prata      ” BUCCELLI, 1905 - 2016, pp. 307-306

Esta prática dos BALSEIROS do RIO das ANTAS parece ter sido a ESCOLA dos BALSEIROS do RIO URUGUAI como se depreende de narrativas desta região

 

BALSEIROS do RIO URUGUAI

https://www.pmerechim.rs.gov.br/noticia/747/29-06-2007/exposicao-as-balsas-do-rio-uruguai

 

BUCCELLI, Vittório (1861-1929) - Uma Viagem ao Rio Grande do Sul; .Brasília:  Senado Federal Conselho Editorial, 2016,  580 p.

 

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