A MISÈRIA e a FÁBRICA de CINISMO

17/11/2016 06:56

A MISÉRIA e a FÁBRICA do CINISMO.

 

O “VALE TUDO” significa o mesmo do que “NADA VALE”. Em outra tirada irônica o cronista carioca, Luiz Edmundo (1880-1961) descreve a herança maldita do ambiente colonial escravagista carente de qualquer outro  pacto ou contrato social, político e econômico. Edmundo inspirou-se nos extremos da sociedade que registrou nas páginas 61 e 62 do seu livro “O Rio de Janeiro do meu tempo” :

Que as sombras são pouquíssimas, no Largo, e que são disputadas pela vadiagem trapenta que gosta de jogar a vermelhinha, menos jogo que tramóia, vergonhosa muamba com que o velhaco explora a ingenuidade do transeunte. Por vezes, a polícia prende os jogadores, pelo menos os que não têm tempo para fugir. Há alarido, tumulto, pela praça. Os que fogem, debandam, na carreira que os salva a gritar:

– Cai n’água! Lá vem meganha!

Meganha sempre foi o guarda de polícia. Anos antes chamavam-no morcego, mata-cachorro.

Se há quem fuja gritando, há, também, sempre, quem, gritando, chegue pelo Largo e proteste contra a ação policial em berros fortes:

 – Não pode! Não pode!

Esse brado incontido, sincero e muitíssimo do tempo, não falta nunca onde existem, de uma parte, a autoridade, a ideia do poder constituído e da outra parte, o povo, na hora em que rebenta algum conflito. É justa, por acaso, a autoridade ou exorbita? Isso não vem ao caso. Berra-se sempre. Berra-se forte. Berra-se sem cessar:

– Não pode!

Até parece que, no subconsciente do que protesta, trabalham os gritos sopitados dos tempos da colônia, quando era crime, e dos piores, erguer, mesmo de manso, a voz contra a injustiça de El-Rei ou a autoridade real. Não pode! Alívio da alma, do peito, desafogar de corações! Apenas (muito guarda, afinal, o subconsciente) se o homem que representa  o arbítrio do poder, que nos corrige, a autoridade, enfim, que tem seguro, pelo gasganete, o homem que delinquiu num assomo de mando ou prepotência, como a indagar, e, em resposta ao que grita “Não pode”, pergunta, por sua vez:

 -“Que é que não pode?”

Logo a gentalha estaca, e os que a com põem calam-se, submissos, quando um não se sai com esta, acobardado, solícito, explicando:

Não pode ......  é largar o homem...

A conclusão do episódio é de que a POBREZA, a MISÉRIA e a INJUSTIÇA NÃO geram solidariedade entre os INJUSTIÇADOS, os MISERÁVEIS ou POBRES. Antes ao contrário, e o estopim que deflagra a GANÂNCIA, a VINGANÇA e a BARBÁRIE coletiva.

 

Edmundo, Luiz, (1880-1961). O Rio de Janeiro do meu tempo / Luiz Edmundo. -- Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2003. 680 p. –

Obra no DOMÌNIO PÙBLICO https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19323

 

A VERMELHINHA

https://sorumbatico.blogspot.com.br/2005/12/o-jogo-da-vermelhinha.html

 

O ENTE do JUIZ em RETRATO INTEIRO

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Imagem: NÃO PODE   ... soltar

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