A ESTÉTICA da MISÈRIA

15/11/2016 06:51

A MISÉRIA dos OUTROS...

 

O memorialista carioca Luís Edmundo (1880-1961) descreveu seu tempo, o seu lugar e esteve especialmente atento para a sua sociedade. Nesta sociedade inspirou-se nos extremos que registrou nas páginas  150-151no seu livro “O Rio de Janeiro do meu tempo” :

O que domina o morro é o barracão de madeira e zinco, desaprumado e em frangalhos, uma coisa que nasce já com muitos anos de idade, que se apresenta como novo, porém, que nada mais é que uma triste e comovente ruína.

 Já notaram como a miséria interessa a agrada sempre, ao confortado, pelo pitoresco que encerra, pelo que representa como assunto capaz de alegrar-lhe os olhos e o espírito? Nas capas das revistas elegantes, a figura andrajosa de um mendigo deleita, recreia, satisfaz. O turista de bom-tom, a primeira coisa que deseja visitar numa grande cidade é o bairro da pobreza.

– Já viu White Chapel, em Londres? Tão curioso!

– E Moabit, a feira dos andrajos, em Berlim?

Os pintores aristocráticos fixam, com grande afã, aspectos miseráveis da vida dos desprezados e dos que nada têm.

– Pois não é curiosa esta cabeça? Veja: pintei-a numa suburra de Chicago.

 – Oh, um encanto! Que lindo ar de sofrimento na figura! Que espiritualidade nesse olhar que amortece! Que palidez encantadora nessa face onde a gente pode sentir o homem que não comeu há três dias!

– Tão interessante!

O drama do sofrimento alheio assim passa, graças ao seu pitoresco, a ser gozo ao bem-instalado na vida que a frui superiormente, dentro da sua camisa de seda, um bom charuto entre os dedos, repoltreado no mapple confortável. Existe mesmo quem não compreenda o mundo sem essas intensas contradições, necessário como as sombras na natureza, que servem para esquissar a graça dos contrastes, dando nitidez, relevo e corpo aos valores belos, porém, mais ou menos perdidos ou apagados, no imenso claro-escuro das paisagens.

O memorialista Luiz Edmundo batia em de intelectuais como o pai do Futurismo, Felippo Tommaso MARINETTI, e reforçava o mote ao carnavalesco Joãozinho Trinta: “O intelectual é que gosta de miséria

 

Edmundo, Luiz, (1880-1961). O Rio de Janeiro do meu tempo / Luiz Edmundo. -- Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2003. 680 p. –

 

O intelectual é que gosta de miséria” Joãozinho Trinta

https://www.youtube.com/watch?v=N0Jvs408crU

 

Imagem: Felippo Tommaso MARINETTI (1876-1944)  visita uma FAVELA do RIO de JANEIRO na noite de 18 para 19.05.1926

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